Delação de ex-dono da Reag cita Jaques Wagner e ACM Neto; foco é Banco Master
Proposta de delação de João Carlos Mansur foi entregue à PGR e cita políticos baianos, mas principal objetivo seria detalhar suspeitas envolvendo Daniel Vorcaro e o Banco Master.
Uma proposta de acordo de delação premiada apresentada à Procuradoria-Geral da República (PGR) pelo empresário João Carlos Mansur, ex-dono da Reag Investimentos, cita dois nomes conhecidos da política baiana: o senador Jaques Wagner (PT-BA) e o ex-prefeito de Salvador ACM Neto (União Brasil).
Segundo informações divulgadas pelo Bahia Notícias, o documento reúne 17 anexos com informações sobre suspeitas relacionadas a operações financeiras. O acordo ainda está em fase de ajustes e não foi formalmente assinado.
O que a delação cita sobre Jaques Wagner?
Em um dos anexos, João Carlos Mansur relata uma situação envolvendo o senador Jaques Wagner e ingressos para um show da cantora Taylor Swift realizado em São Paulo, em 2023.
Segundo o relato apresentado à PGR, Augusto Lima, ex-sócio do Banco Master, teria pedido que Mansur comprasse os ingressos, avaliados em aproximadamente R$ 63,3 mil. De acordo com a proposta de delação, os bilhetes teriam sido utilizados como presente para Wagner.
Procurado pela reportagem, Jaques Wagner afirmou que a compra teria ocorrido a partir de um pedido pessoal feito pelo senador a um amigo. Ele também declarou que não conhece João Carlos Mansur e que nunca teve relação com a empresa Reag.
ACM Neto também é citado no documento
A proposta de delação também menciona ACM Neto em relação ao fundo de investimentos Seattle 95, que teria sido administrado pela Reag até 2025.
Conforme o documento, o fundo realizou investimentos em outro fundo chamado Structure, formado por operações de empréstimos consignados originados pelo Banco Master.
Entre novembro de 2021 e julho de 2025, o Seattle 95 teria realizado quatro aplicações que somaram aproximadamente R$ 4,8 milhões no Structure. Em determinado momento, segundo a reportagem, esse investimento chegou a representar 98,6% do patrimônio do fundo.
ACM Neto afirmou que é cotista do Seattle 95 e que o fundo foi criado com recursos próprios de origem declarada e lícita. Segundo ele, a contratação da Reag ocorreu para atender às regras do mercado financeiro e a rentabilidade obtida foi compatível com as condições de mercado.
Foco principal da delação seria Daniel Vorcaro
Apesar das citações aos dois políticos baianos, o principal alvo das informações apresentadas por Mansur seria Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master.
De acordo com a proposta, Mansur afirma que a Reag prestava serviços ao Banco Master e a Vorcaro desde 2019, estruturando operações envolvendo fundos de investimento.
O ex-executivo também teria apresentado documentos à PGR e relatado operações que, segundo sua versão, teriam sido utilizadas para movimentar recursos por meio de fundos e estruturas financeiras.
Empresário pode pagar R$ 40 milhões
Como parte da proposta de acordo, Mansur deverá pagar R$ 40 milhões em multas, valor apontado como equivalente ao que teria recebido da Reag durante o período em que esteve à frente da empresa.
A proposta ainda precisa passar pelas etapas previstas no processo de colaboração premiada. Caso seja assinada, o acordo deverá ser encaminhado para análise do Supremo Tribunal Federal.
O que acontece agora?
O acordo ainda não foi formalmente assinado. A eventual homologação caberá ao ministro André Mendonça, relator do caso no Supremo Tribunal Federal.
A expectativa das autoridades é que as informações apresentadas possam ajudar a esclarecer operações financeiras e identificar caminhos para recuperar recursos relacionados às investigações envolvendo o Banco Master.
A proposta também apresenta informações sobre fundos de investimento e empresas que, segundo as investigações citadas na reportagem, teriam sido utilizadas em operações consideradas suspeitas.


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